O universo e a xícara de chá - a matemática da verdade e da beleza
A jornada em busca dessa percepção se dá em duas etapas. Inicialmente são desvendadas questões ou premissas matemáticas que permeiam de forma inusitada uma vasta gama de aspectos do cotidiano, dos mais banais aos mais excepcionais. Em seguida vem a etapa de analisar essas questões ou premissas à luz da massa desordenada de dados à qual, geralmente, temos acesso. Esse é um passo delicado, no qual é fundamental peneirar as informações e examiná-las em contexto adequado e com espírito crítico, levando em conta, inclusive, as limitações de nossa razão. Neste processo percebemos também o quão facilmente podemos ser manipulados por informações corretas porém tendenciosas se simplesmente aceitamos os dados que são transmitidos sem examiná-los criticamente.
Além de alertar e aguçar nosso espírito crítico, C.K. Cole empreende uma viagem pelos aspectos mais belos e intrigantes da natureza matemática do mundo e da vida. Entre eles destacam-se perguntas com respostas surpreendentes. Descobrimos, por exemplo, que um grupo de matemáticos não apenas provou que é possível fazer partilhas de bens em contendas de forma que todas as partes terminem satisfeitas, como também criou e patenteou o método de "divisão em partes livres de inveja".
Outra surpresa do livro é a compreensão, por meio de um pouco de teoria dos jogos, de que nosso processo eleitoral democrático, com votações em dois turnos, não possui a justiça absoluta que em geral lhe imputamos. Por outro lado, descobrimos que não há nenhum processo com essa característica e nos tornamos aptos a reconhecer as vantagens e desvantagens de cada método. No última parte, percorremos o mágico terreno das simetrias e das leis fundamentais e imutáveis da natureza, tais como causa e efeito, indício e prova, verdade e beleza. Descobrimos assim as inesperadas relações entre a beleza de um floco de neve e as leis que controlam o universo. Cole mostra que beleza e verdade são dois lados da mesma moeda.